O
Senhor DEUS “te guiou por aquele grande e terrível deserto de serpentes
abrasadoras, de escorpiões, de terra árida e sem água, onde fez jorrar para ti
água da pedra dos rochedos; que no deserto te sustentou com maná, que teus pais
não conheceram, a fim de te humilhar e provar, e afinal te fazer bem”
(Deuteronômio 8:15-16).
Peço licença ao meu amado irmão em Cristo,
amigo e escritor, Daniel Tomás, do qual utilizei o título do seu excelente
livro, Lições do Deserto, que
recomendo a todos os cristãos, para a nossa reflexão semanal.
Os desertos são as regiões mais secas do
mundo. Eles podem ficar vários anos sem receber sequer uma gota de chuva. É
lugar de extrema solidão também, onde, além de faltar o necessário para a
sobrevivência humana, só se vêem camelos e tuaregues (integrantes de tribos
desérticas que viajam normalmente em grupos). Durante o dia, as temperaturas
nos desertos habitualmente alcançam os 25° C, à sombra, e 40° C, podendo chegar
a 58° C, como ocorreu na Líbia. Em contrapartida, à noite faz um frio quase que
insuportável; pois o calor escapa para um céu sem nuvens. Ocupam mais de 12%
das terras emersas do planeta. O Saara, por exemplo, maior deserto do mundo, é
um mar de morros de areia do tamanho do Brasil que se estende por 5 mil km, do
Mar Vermelho ao Oceano Atlântico, a oeste, e algumas de suas dunas de areia
podem alcançar 300 m de altura. Com tantas características adversas ao homem e
diante de inúmeras outras belezas turísticas existentes, raramente um deserto
faria parte do roteiro de algum viajante interessado em contemplar as
“maravilhas” do mundo. Mas, caro leitor, e se DEUS o convidasse agora a passar
alguns dias ou meses, ou anos, num deserto total, onde a sua única
correspondência fosse com o seu próprio interior? Se ainda não recebeu este
convite da parte de DEUS, prepare-se! Seu dia pode estar bem próximo... Se você
já está no deserto, aproveite agora essa oportunidade que DEUS lhe dá para
aprender melhor a atravessá-lo e compreender quão maravilhoso é ser preparado
para receber a promessa maior, que é o Reino dos Céus.
Na Bíblia Sagrada o deserto é palco de
muitas narrativas, caracterizando-o como lugar de solidão, abandono, sem
vegetação, quase inabitável, com perigos freqüentes de fome, sede e serpentes. Nem
sempre o termo recebe esse significado e pode não representar um lugar como o
Saara ou o da Arábia, mas um mundo interior essencialmente solitário, tipo
retiro ou isolamento. Para DEUS, o deserto constitui-se como um “habitat”
incontaminável com o mundo, onde o homem, por força das circunstâncias,
sente-se obrigado a se despir de suas vontades e de seus pecados (os quais o
impedem de ouvir a voz do PAI), tornando-o um ser extremamente frágil e
humilhado. O deserto confronta-se diretamente com os nossos anseios humanos:
enquanto no mundo temos sede de conquistas, no deserto a principal lição é
sentar e esperar; viver na dependência. E aí consiste o nosso maior problema.
Se DEUS lhe falar para escalar uma montanha e alcançar o cume, você logo vai. Mas
se ELE lhe ordenar a sentar-se embaixo e esperar, você não suporta. A maior
prova de nossa fé é ter que esperar. No deserto, temos que esperar. É por isso
que ele se torna tão difícil para nós. DEUS molda os seus filhos amados onde a
contaminação pelas influências mundanas se torna impossível. Portanto, só é
convidado a ir ao “deserto” para ser provado por DEUS quem ELE escolheu para
servi-lO: “também no deserto vistes que o
Senhor vosso Deus vos levou, como um homem leva seu filho, por todo o caminho
que andastes até chegardes a este lugar” (Deuteronômio 1:31). No deserto
aprendemos que, embora nos sintamos sozinhos, DEUS sempre está no nosso lado.
Foi assim com o povo de Israel sob a liderança de Moisés (que dos seus 120
anos, 80 foram vividos no deserto): “Assim
partiram de Sucote, e acamparam em Eta, à entrada do deserto. O Senhor ia
adiante deles, de dia numa coluna de nuvem, para os guiar pelo caminho, e de
noite numa coluna de fogo, para os alumiar, a fim de que caminhassem de dia e
de noite. Nunca se apartou do povo a coluna de nuvem de dia, nem a coluna de
fogo de noite” (Êxodo 13:20-22); com Abraão no sacrifício do seu único
filho a caminho do “deserto” de Moriá: “e
estendendo a mão, pegou no cutelo para imolar o filho. Mas o anjo do Senhor lhe
bradou desde o céu, e disse: Abraão! Abraão! Respondeu ele: eis-me aqui”
(Gênesis 22:10-11); com José ao ser vendido como escravo no Egito: “vendo o seu senhor que Deus era com ele, e
que tudo o que ele fazia o Senhor prosperava em suas mãos” (Gênesis 39:3); com
Davi quando este fugiu da ira do rei Saul para uma caverna no deserto de
En-Gedi: “este dia os teus olhos viram
que o Senhor te pôs em minhas mãos nesta caverna. Alguns disseram que eu te matasse, porém a minha mão te poupou (...)” (1 Samuel 24:10); com
Elias fugindo da ira de Jezebel (que havia matado muitos profetas e queria
matá-lo também) e, em extremo desespero, instalou-se numa caverna. Quando ele
pensava em morrer veio a presença do Senhor trazer a bênção inigualável, que só
é possível contemplar quando não há mais forças, mais recursos, mais nada.
Enquanto Elias dormia pensando na morte como solução, um anjo, ao seu lado,
preparava-lhe a comida fresca e saudável no fogo: “o anjo do Senhor voltou segunda vez, tocou-o, e lhe disse: levanta-te
e come, pois muito longo te será o caminho. Levantou-se, comeu e bebeu. Com a
força daquela comida caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o
monte de Deus “(1 Reis 19:7-8). Nunca duvide da presença de DEUS quando as
areias do deserto parecerem cobrir toda a sua vida. DEUS nos prepara para
sermos co-herdeiros do Reino dos Céus: “Vê,
eu te purifiquei, mas não como a prata; provei-te na fornalha da aflição. Por
amor de mim, por amor de mim faço isto (...)“ (Isaías 48:10-11).
Outras lições que você deve aprender no
deserto: o próprio DEUS o colocará em combates grandiosos, como ocorreu com
JESUS: “Então foi levado pelo Espírito ao
deserto para ser tentado pelo diabo” (Mateus 4:1). Mas como a Palavra Santa
afirma: “Não veio sobre vós tentação,
senão humana. E fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis
resistir, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais
suportar” (1 Coríntios 10:13). Por isso, permaneça firme e confiante porque
grande será a sua vitória. E se nada mais lhe resta, transforme o seu deserto
num grande concerto de louvor a DEUS. Através dos louvores, o Senhor lhe dará
forças para prosseguir na caminhada. Lembre-se da vitória do servo Jó. Agora um
detalhe muito importante: não confunda “deserto” com “prisão” espiritual. Os
que estão amarrados em cadeias malignas ou não são do Caminho ou estão fora
dEle. Vivem em completo domínio de satanás e foram entregues às imundícies do
seu coração. “Deserto” é para quem precisa ser aperfeiçoado, melhorado, cujo
coração se encontra esperança, por menor que seja, de redenção. DEUS conhece
aqueles que, em sua pouca força e pobre fé, almejam ser fortalecidos pelo Seu
poder. São os que clamam dia e noite; os que perseveram; os que se humilham; os
que choram; enfim, os que não se entregam nem desistem jamais.
No deserto de Daniel, DEUS tapou a boca dos leões. No
de Jó, fê-lo receber em dobro tudo o que havia perdido. A duração do deserto de
JESUS CRISTO não foi quarenta dias nem quarenta noites, mas todo o Seu
Ministério, ao levar sobre si os desertos de todos os homens. Estar no deserto
é motivo de alegria e um privilégio que é dado a poucos neste mundo. Não se
pode chegar ao céu sem antes passar pelo deserto e ser aprovado. O deserto é a
via única de acesso ao paraíso celestial; é onde a voz de DEUS ecoa como canção
sublime aos nossos ouvidos. Se DEUS o convidar para esse “passeio” maravilhoso
com ELE ou se já procedeu, alegre-se porque os olhos sagrados não querem que
você se perca do alvo; e as mãos sagradas vão transformá-lo em vaso precioso. Por
essa razão, JESUS, intercedendo pelos Seus servos, pediu a DEUS em Sua oração: “não peço que os tire do mundo, mas que os
guarde do mal. Eles não são do mundo, como eu do mundo não sou. Santifica-os na
verdade; a tua palavra é a verdade” (João 17:15-17). ELE sabia que haveria ainda
muitos desertos para os Seus Filhos atravessarem... Amém, Senhor JESUS!!!
Pr. Fernando César – É líder do Ministério Restaurando
Famílias para CRISTO, escritor, palestrante, um dos principais antidivorcistas
do Brasil e defensor das famílias e dos casamentos lícitos aos olhos de DEUS.
Acesse:
www.familiasparacristo.com.br
